Frases palíndromas

Esse post é a parte 2 de 2 na série Palindromia

Fiquem agora com a segunda, e final, parte do texto sobre palíndromos do Grande Malba Tahan (Que Alá o tenha em sua Glória).

Os palindromistas já construíram, em nosso idioma, mais de sessenta frases palíndromas. Dizemos que a frase é palíndroma perfeita quando pode ser lida da direita para a esquerda sem transposição de letras. Citemos algumas frases palíndromas perfeitas: Omitiram o marítimo. Salta o atlas. Atiram a Marita. Assim é missa. Ana ama Oto; Oto ama Ana.

Na última, todas as palavras, que nela figuram, são palíndromas.

A frase palíndroma é dita quase perfeita quando a segunda leitura (da direita para a esquerda) exige mudança de acento, mas sem deslocar letra alguma. Dois exemplos: Ante o Etna. Somar só os ramos.

Citemos três frases palíndromas, bem curiosas, de origem portuguesa: Roma me tem amor. Atai a gaiola saloia gaiata. O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro.

Esta última (bastante artificial) é considerada como uma das maiores frases palíndromas do nosso idioma. A segunda (pelo número de letras) seria a seguinte: Socorram-me! Subi no ônibus em Marrocos!

Com incrível paciência, construíram os palindromistas recados e até cartões de visitas palíndromos. Eis um exemplo: Ari é vil. Oliveira.

Esse aviso, ou recado, lido de trás para frente, seria: Ari é vil. Oliveira.

Agora, um estranho cartão, em francês, com endereço de um cavalheiro chamado Mack e, do qual a profissão, aliás, bem pouco recomendável, aparece indicada em baixo do nome: Rue Loir, B. Mack Cambrioleur. Tradução: Rua do Rato, B. Mack Arrombador.

Esse cartão de visitas é palíndromo. Pode ser lido de trás para frente ou de frente para trás.

Assinalam os palindromistas frases palíndromas em outros idiomas. Em espanhol: Dabale arroz a la zorra el abad (Dava arros à raposa o abade). Em italiano podemos ler: Ai lati d’Italia (Aos lados da Itália). No idioma de Shakespeare, será fácil assinalar muitas palavras palíndromas. Citemos as seguintes: tot (criancinha), madam (senhora), pop (estalo), deified (divinizado) etc.

Há, também, construídas pelos palindromistas, as frases palíndromas: Madam I’m Adam! (Senhora, eu sou Adão!). Was it a rat I saw? Able was I ere I saw Elba.

Em latim: In girum imus nocte et consuminur igni (Damos a volta à noite e somos consumidos pelo fogo).

O filólogo Leite de Vasconcelos, no V volume de seus eruditos opúsculos, cita duas frases palíndromas que, segundo a lenda, foram compostas pelo demônio. Eis a primeira: Signa te signa te, me tangis et angis. E a segunda: Roma tibi subito, motibus ibit amor.

Dois ou três séculos, antes de Cristo, os romanos já conheciam frases e expressões palíndromas. Assim, a frase latina que se acha num manuscrito do século XVII, da Biblioteca Nacional de Lisboa: Sator arepo tenet opera rotas, é palíndroma. Pode ser lida (letra a letra), da direta para a esquerda, sendo a palindromia perfeita.

Para essa frase, de acordo com o prof. Mansur Guerios, há várias interpretações: “O agricultor cuida da lavoura e eu passeio de carro”, ou ainda: “Sator, o pastor, tem suas obras encaminhadas”.

Em seu Dicionário, oferece Artur Resende uma interpretação curiosa: Sator (o agricultor) tenet opera (cuida da lavoura) a(d) repo rotas (e eu passeio de carro).

Com as letras da famora legenda latina podemos formar uma espécia de quadrado mágico com 25 elementos:


S A T O R
A R E P O
T E N E T
O P E R A
R O T A S

Nesse quadrado, denominado Quadro Mágico, as palavras podem ser lidas de cima para baixo, de baixo para cima, da esquerda para direita e da direita para a esquerda. A palindromia é sempre perfeita.

Essa singular inscrição foi encontrada pelo arqueólogo francês, prof. Franz Cumont, por volta do ano de 1933, na Ásia Menor, entre ruinas que deviam remontar ao século III.

Mais tarde, em 1936, o pesquisador italiano Matteo della Corte encontrou uma segunda cópia do Quadro Mágico em Pompéia. De acordo com as investigações feitas nessa época (1936), a legenda pompeiana é seguramente anterior ao ano 79 da era cristã.

As duas linhas médias do Quadro Mágico, na opinião do ocultista francês Georges Barbarin, formam uma cruz, que tem no centro a letra N e, nas proximidades, a letra T, que também simboliza a cruz. Será possível, portanto, estabelecer uma relação entra o Quadro Mágico e o Cristianismo na sua luta terrível contra o Paganismo.

Oferece Georges Barbarin, dentro de suas nebulosas teoras, uma tradução para a frase de Sator. Essa tradução, em francês, seria: Le semeur guide avec soin les roues. Que, em nosso idioma, poderíamos dizer: O semeador guia com cuidado as rodas. Fórmula que está muito afastada da verdade e que é repudiada pelos latinistas.

Há, ainda, em relação ao Quadro Mágico, de Arepo, outra observação bem estranha a fazer. Aplicando-se ao Quadro, a partir de uma certa letra, a conhecida regra do movimento do cavalo (no jogo de xadrez), obtemos várias outras frases mágicas suscetíveis de serem interpretadas pelos estudiosos do ocultismo.

Citemos, para orientar o leitor, um exemplo bem simples. Partimos da letra P, de Arepo, na segunda linha. Dessa letra P passamos, por um movimento do cavalo, para a letra A, de Sator (primeira linha); dessa letra passamos para a letra T, de Tenet na terceira linha; dessa passamos para a letra E de Opera, quarta linha. Dessa letra passamos para a letra R, de Rotas (quinta linha). Com os movimentos que acabamos de indicar, obtemos a palavra PATER.

Outras letras, do Quadro, darão facilmente Noster e teríamos dessa maneira PATER NOSTER, expressão que é obtida do Quadro Mágico,

Insiste Barbarin em afirmar que as palavras do Quadro Mágico são puramente simbólicas. Para cada uma delas, segundo os ensinamentos do ocultismo, será fácil estabelecer uma interpretação especial, a saber:

AREPO
o Mundo, a Humanidade;
SATOR
o Criador, Deus;
OPERA
Cuidado, Trabalho;
ROTAS
Rotação, trajetória;
TENET
Suster, manter.

Uma vez fixadas essas interpretações, que nos parecem um tanto arbitrárias, teríamos pra a famosa legenda: Deus, Criador, mantem com cuidado o Mundo em sua órbita.

É essa uma tradução interessante, bastante ortodoxa do ponto de vista cristão, mas que não atende, porém, às normas dos latinistas e nem às exigências dos matemáticos.

E o problema permanece insolúvel, afirmando alguns que permanecerá ainda assim, por vários séculos.

Oportunidade, desafio e prova!

Parece que, depois de muito tempo e esforço, somos recompensados com oportunidades, desafios e provas. No momento estou vivendo algo desse tipo. Tenho a oportunidade de ser dono de um restaurante. Assumo o desafio de mantê-lo e ter sucesso. E junto com a oportunidade e o desafio vem a provação de abrir um negócio com meu cunhado, marido da minha irmã mais nova.

Não tenho condições de tocar o negócio sozinho, nem capital para contratar empregados. A saída foi montar um restaurante familiar com meus pais, minha irmã e meu cunhado. Essa é a provação e sei que não devo concentrar minhas energias pensando nisso. Vamos falar sobre a oportunidade.

Nós vamos, na verdade, pegar o bonde andando. Explico, vamos arrendar um restaurante já bem estabelecido e com clientela formada. Ele está apenas no melhor ponto comercial da cidade e possui uma casa de 3 quartos nos fundos. É nessa casa que meus pais e minha irmã vão morar. Eu vou morar com meus sogros até conseguir alugar ou comprar uma casa para minha família. Convenhamos que não é todo dia que uma oportunidade dessas aparece. É realmente algo único e que não pode ser deixado de lado por causa do comodismo e certeza de uma carteira assinada. Mas ainda temos o desafio de manter e melhorar o faturamento do restaurante.

O arrendamento não é barato e ainda temos que gerar renda para 3 famílias. Acredito que isso será possível pois também serviremos almoço. E almoço é algo carente na cidade. Apenas um restaurante cumpre a missão de servir almoço e, mesmo assim, a qualidade deixa a desejar.

Acredito que vamos tirar isso de letra e que o trabalho será recompensador. Vamos enfrentar o medo e o desconhecido, passar pelas chamas e sair purificados ao final.

Palavras e números palíndromos

Esse post é a parte 1 de 2 na série Palindromia

Há uns dois meses atrás um tio-avô meu desencarnou. Começou-se o inventário e, como ele não tinha filhos, o espólio ficou a cargo dos irmãos e níveis próximos de parentesco. Como sei que ele tinha uma vasta biblioteca recheada com assuntos e autores variados, fui ver se alguns me interessavam.

O que me chamou mais a atenção foi o fato de um médico ter tantos livros de Matemática. Logo, trouxe alguns para casa. Ao abrir o primeiro livro achei dois recortes de jornal com artigos sobre palindromia de autoria do grande Matemático e Professor Malba Tahan (Que Alá o tenha em sua Glória). Transcrevo, pois, o primeiro artigo com a primeira parte do texto.

Cumpre ao bom professor, verdadeiramente cônscio de seus deveres, conhecer todas as recreações que são de emprego frequente em Didática, pois só assim poderá, uma ou duas vezes por semana, proporcionar a seus alunos o encanto de uma atividade pedagógica altamente motivadora.

A recreação, de fundo educativo-cultural, quando aplicada com certa oportunidade, é de incalculável valor didático, moral e até mental.

Tenhamos sempre presentes, em nosso espírito, as judiciosas palavras da educadora Maria Junqueira Schmidt: “A recreação oferece as mais variadas formas de compensação adequada, por isso é ela o meio, por excelência, da prática da higiene mental.”

Entre as recreações mais úteis e interessantes, que um bom professor pode apresentar, em aula, aos seus alunos, destaquemos, em primeiro plano, a Palindromia.

Façamos, pois, de um ponto de vista bastante elementar, um estudo sucinto de alguns dos problemas mais simples relacionados com a Palindromia.

A apresentação desse importante capítulo das Recreações Didáticas, será feita em três fases.

  1. A Palindromia entre os números;
  2. A Palindromia entre as palavras;
  3. A Palindromia nas frases e nos versos.

Estudemos, inicialmente, a Palindromia no campo puramente numérico.

Diz-se que um número é palíndromo quando pode ser lido da direita para a esquerda, ou da esquerda para a direita, sem que se altere o seu valor.

Assim, o número 63736 é palíndromo, pois lido da direita para a esquerda, ou da esquerda para a direita, o resultado é o mesmo.

Apontemos outros números palíndromos, de acordo com a definição: 1551, 4334, 8008, 12021, 315513.

É evidente que um número que apresenta todos os algarismos iguais é palíndromo. Assim, são palíndromos: 77, 555, 9999.

A palavra palíndromo vem do grego, e nela devemos distinguir as formas parlin (voltar, retornar) e dromos (pista, caminho). Diríamos que palíndromo significa “que corre de novo; que volta sobre seus passos”.

Uma observação curiosa é assinalada pelos ocultistas. Os números famosos, na História, são, em geral, palíndromos.

Assim, o número 666, que aparece no Apocalipse, de São João, é palíndromo.

O mesmo acontece com o número 33, idade de Cristo, e com o número 1001, que se apresenta no título de uma obra famosa na Literatura Oriental: Contos das Mil e Uma Noites.

Além dos números palíndromos, os matemáticos definem e estudam certas expressões palíndromas.

Escrevamos, por exemplo, a igualdade numérica: 16 + 61 = 77. Lida da direita para a esquerda, temos 77 = 16 + 61.

Outro exemplo bastante curioso. A expressão: 12 x 12 = 144 sendo lida da direita para a esquerda, toma a forma: 441 = 21 x 21, e a igualdade numérica, por ser palíndroma, não se alterou.

Vamos citar, a título de curiosidade, mais algumas igualdades numéricas, que são palíndromas: 13 x 13 = 169. 38 + 83 = 121. 12 x 42 = 24 x 21.

Em todas podemos observar o palindromismo perfeito.

Estudam os palindromistas formas curiosas que os números apresentam. Assim, o quadrado, o cubo e a quarta potência de 11 são números palíndromos. Para o cubo de 11, por exemplo, teríamos: 11 x 11 x 11 = 1331.

Os números palíndromos e as expressões palíndromas são estudadas em um capítulo da Matemática Recreativa denominado: Palindromia Aritmética.

Ao pesquisador que cultiva a Palindromia damos a denominação de Palindromista.

Além dos números palíndromos e das expressões numéricas palíndromas, a Palindromia estuda as Palavras Palíndromas.

Uma palavra é dita palíndroma quando pode ser lida da direita para a esquerda, permanecendo inalterável.

Assim, as palavras: Somamos, Apupa, Arara, Mirim, Salas, etc, são palíndromas. Poderíamos apontar, em nosso idioma, cerca de sessenta e duas palavras palíndromas.

As seis palavras palíndromas que encerram o maior número de letras são: Somávamos, Anilina, Sururus, Somamos, Reviver e Rodador.

A primeira tem nove letras e as outras, sete. Até hoje não foi encontrada palavra palíndroma que tivesse mais de nove letras.

Os nomes palíndromos tais como Ana, Laval, Gog, etc, são considerados como nomes de pouca sorte ou de má sorte. Em Ana Karenine, famoso romance do escritor russo Leão Tolstói, a heroína acabou tragicamente, praticando o suicídio, por influência exclusiva do nome palíndromo Ana. O francês Laval foi levado ao paredão e fuzilado como traidor. Quanto ao destino amaldiçoado de Gog, basta ler, na Bíblia, os capítulos 38 e 39, de Ezequiel.

Há certas palavras que tomam novo sentido quando lidas da direita para a esquerda; essas palavras são ditas semipalíndromas.

Assim, a palavra Medula é semipalíndroma. A sua inversa é a palavra Aludem (do verbo aludir).

Citemos outras palavras semipalíndromas com as suas respectivas inversas: Raul = Luar, Anel = Lena, Seteira = Arietes, Acata = Ataca, Aro = Ora, Atar = Rata, Assim = Missa, Argos = Sogra.

Já foram assinaladas, em nosso idioma, pelos pacientes palindromistas, cerca de cento e cinto palavras semipalíndromas.

As maiores palavras semipalíndromas conhecidas até agora são: Marítimo e Maratona, com oito letras cada uma. A primeira tem por inversa Omitiram, do verbo omitir, e a segunda, Anotaram, do verbo anotar.

Com auxílio das palavras palíndromas e semipalíndromas, podemos construir frases e versos palíndromos. Uma frase é dita palíndroma quando lida da direita para a esquerda é idêntica à primeira.

Citamos a frase: Eva asse essa ave.

Ela não se altera quando lida da direita para a esquerda. Podemos incluí-la, portanto, entre as frases palíndromas.

Vamos citar, a título de curiosidade, outras frases palíndromas: Oto come mocotó. Anotaram a data da maratona. Acorde, Pedroca. Libânio o inábil.

Podre de rico!

Essa semana vi no jornal uma matéria, muito comentada na internet, sobre o rápido enriquecimento do Palocci nos quatro anos em que foi Ministro do Governo Lula. Independente desse enriquecimento ter sido lícito ou não, quero discutir a discussão. Em vários lugares, incluindo a mesa de jantar aqui de casa, assume-se de imediato que o enriquecimento foi ilícito e que o cara se aproveitou de sua posição no governo para enriquecer. Novamente, foda-se se ele enriqueceu legalmente ou não. Ainda não vi nenhuma prova sobre a ilicitude de seu enriquecimento. A matéria saiu no jornal, a assessoria de imprensa da empresa dele respondeu com uma nota dizendo que o patrimônio era fruto de lucros comerciais e que a empresa até mudou o contrato social para que não prestasse mais serviços ao Governo. No entanto, só escuto falar que ele deve ter mesmo roubado dinheiro e que ficou rico ilicitamente.

Vamos agora olhar debaixo do tapete e ver o que está escondido nesse julgamento precipitado que fazemos quando encontramos alguém rico. A primeira reação é sempre imaginar algo de errado como causa do enriquecimento. Questionar o caráter e a honestidade da pessoa rica em questão. Em seguida temos a absoluta certeza de que estamos corretos e a pessoa é mesmo uma vigarista. Em nossa sociedade aprendemos como é ilegal e prejudicial ser rico. Isso é facilmente percebido na expressão “podre de rico”. O que isso significa? Que a pessoa rica apodrece ou a pessoa podre enriquece? Outra expressão, nem tão comum, diz que é “mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus”. Desconsiderando o teor religioso da última frase, temos que o rico é alguém execrável, imundo, desonesto e explorador. É melhor ser pobre e dormir tranquilo do que ter dinheiro para comprar calmantes para conseguir dormir e ainda ter pesadelos, pois o rico merece se foder!

Ora, isso não podia estar mais longe da verdade. Por que acreditamos que é impossível ser rico legal e moralmente? Por que temos ideias limitadoras sobre dinheiro mesmo sabendo que ter uma grande quantidade de dinheiro resolveria quase a totalidade dos nosso problemas? Porque somos constantemente bombardeados e condicionados a pensar assim. Nas novelas, por exemplo, o vilão é sempre rico! E se não é, procura ser a todo custo. Não interessa quantas pessoas ele terá que prejudicar para enriquecer. Nossos pais, criados durante a ditadura militar, nos passam a mensagem que eles receberam: “Arrume um emprego, não reclame e pague suas contas”. Será que ninguém percebe que isso esse pensamento é absurdo?

Eu cresci numa família de classe média e, por algum tempo, meus pais tiveram uma empresa na pequena cidade em que morávamos. Quando minha vó adoeceu para valer minha mãe quis voltar para Sorocaba/SP. Adivinha qual foi a primeira coisa que meu pai fez? Isso, arrumou um emprego. Mesmo sabendo que os produtos que vendíamos seriam um sucesso e que seriam livres para escolher como ganhar dinheiro, meu pai achou melhor trabalhar por um salário fixo e trabalho flutuante. Não o culpo nem o julgo, mas com certeza não foi a atitude mais inteligente a ser tomada. A maioria das pessoas não vai concordar comigo, principalmente se tem mais de 35 anos.

O importante é deixar de lado o pensamento negativo e deixar de acreditar que ficar rico é errado. Dinheiro não deixa ninguém podre. O dinheiro te ajuda a mostrar quem você realmente é. Se você é podre, vai ficar mais podre. Se é uma pessoa boa, vai se tornar alguém melhor. Ficar rico é legal em ambos os sentidos. Imagine tudo o que você poderá ter, fazer e ser se for rico. Hoje você tem que engolir o orgulho e vender sua capacidade criativa para outrem. Se fosse rico, estaria desenvolvendo sua verdadeira vontade, pois as necessidades estariam supridas. Com certeza se sentiria mais feliz!

Vou ficar rico!

No meu último post eu estava desesperado com meus problemas. Eles estavam me dando muita dor de cabeça e, quanto mais eu me preocupava, mais problemas apareciam. Então decidi parar de me preocupar e ficar rico. Descobri que a maioria dos meus problemas é a falta de dinheiro e o excesso de dívidas. Isso só pode ser resolvido com dinheiro. A outra parte dos problemas é referente à minha atividade produtiva, meu trabalho. Não considero meu trabalho prazeroso e, muitas vezes, sei que o faço apenas pelo dinheiro. Se eu ficar rico posso eliminar o emprego da minha lista de problemas. Ficar rico é a solução para os meus problemas.

Mas com essa decisão surgem, imediatamente, outro problema: como ficar rico? Eu ainda não tenho a resposta a essa questão, mas posso dizer que estou buscando respostas com afinco e em vários lugares. Uma das maneiras é o livro “100 maneiras de criar riqueza”.

Esse não é um livro com esquemas sobre ganhar dinheiro rápido e fórmulas mágicas. Mas é um livro para nos ajudar a perder a ideias limitadoras que temos sobre dinheiro. E dizer que podemos ganhar dinheiro simplesmente sendo úteis para alguém. Seja criando um produto inovador ou ajudando e resolvendo os problemas dos outros. Abaixo transcrevo a orelha do livro para vocês terem uma ideia do conteúdo do livro.

Se você quer aprender o caminho para a verdadeira prosperidade, deve assumir o poder que está em suas mãos.

Quando nos propomos a ajudar você a gerar mais riqueza para sua vida, não estamos estimulando o egocentrismo nem o acúmulo de bens materiais. Nossa intenção é lhe oferecer uma liberdade rara: a de progredir com facilidade, ir aonde deseja e fazer o que quer.

A riqueza pode trazer essa liberdade. Queremos que a encontre para que possa ter sucesso em seu verdadeiro objetivo de vida, ajudar seus entes queridos a crescer e contribuir com organizações e causas com as quais de identifique.

Não falaremos sobre truques e artimanhas para ganhar dinheiro. Sabemos que a verdadeira oportunidade para enriquecer está dentro de cada um de nós. Você é capaz de se inspirar a conquistar a prosperidade. Sirva o maior número de pessoas da melhor maneira possível e você fará jus a ela.

Este não é um livro sobre investimentos ou administração financeira. Aqui você encontrará um relato de nossa experiência com conselheiros pessoais e consultores de negócios e também a biografia de dois homens que passaram de uma realidade e dívidas e fracasso a um patamar de lucros consistentes.

Criar riqueza é um conceito diferente de “descobrir” um modo de tirar proveito de um bem ou uma maneira de se aproveitar de alguma circunstância externa temporária. Trata-se de produzir riqueza a partir do seu interior – de encontrar o lugar em que você se sente bem consigo mesmo e de encontrar o trabalho que realmente gosta.

Este livro, portanto, é sobre amor e dinheiro. Não tenha medo de ser inspirado pelas idéias que apresentamos. Quanto mais você acreditar na própria capacidade criadora, maior será sua riqueza.

Nem preciso mencionar que me encontro em uma condição bem parecida com a inicialmente apresentada no texto da orelha do livro. Os autores também estavam totalmente endividados e não conseguiam achar uma saída ou solução até começarem a olhar para dentro deles mesmo e descobrir o que sabiam fazer de melhor e fazer tudo que podiam pelos outros.

É um livro muito bom, recomendo a todos na mesma situação porque o livro é bem barato.

  • Título: 100 maneiras de criar riqueza – Aprenda a mudar suas ideias limitadoras sobre dinheiro e coloque em prática a sabedoria de quem entende do assunto
  • Autores: Steve Chandler e Sam Beckford
  • Editora: Sextante
  • Ano: 2010
  • Rio de Janeiro, 172 páginas

Você pode encontrá-lo aqui!

O que devo fazer?

Uma pergunta tem me atormentado nesses últimos meses: O que devo fazer? Sinceramente, ainda não faço idéia de como posso responder essa pergunta. Estou buscando e atirando para todos os lados, mas até agora nada. Busquei na astrologia, tarô, numerologia e meditação e até agora nada.

Na ânsia de me descobrir totalmente fiz primeiro um mapa astral que não ajudou muito. Então agora estou pensando em encomendar outro mapa com outra pessoa e ver se esse consegue me trazer mais informações. Mas duvido muito que consiga algo de novo com ele.

Com a numerologia eu tive um pouco mais de sorte e as informações foram um pouco mais claras do que as da astrologia, mas também nada conclusivo ou com o nível esperado de detalhe. Posso estar sendo ingênuo e até um pouco idiota esperando que essas ferramentas me ajudem em alguma coisa. No entanto eu continuo esperando.

O tarô me revelou que esse é o meu melhor ano para ganhar dinheiro e que o potencial para que a abundância financeira finalmente invada a minha vida é grande, mas até agora nada. Estou mais individado que nunca e não tenho a menor idéia de como sair desse buraco.

As cartas também me revelaram que nesse ano estarei muito introspectivo e procurando algumas respostas para minhas dúvidas e anseios. Muitas pessoas me admiram e me respeitam por sempre ter certeza das coisas que falo. O fato é que estou cansado de ter dúvidas, gostaria de ter alguma certeza, fora a morte, nessa vida.

Acho que chegou a hora de admitir que não sei o que fazer e não sei exatamente como cheguei até aqui. Sou programador numa pequena consultoria cheia de problemas e ganhando menos do que o necessário. Estou muito longe de estar satisfeito com isso. Mas não sei para onde correr, onde me segurar, quem procurar nem onde procurar.

Ontem passei duas horas na chuva com meu pai tentando fazer meu carro pegar. Quando finalmente conseguimos estávamos encharcados, cansados e famintos às 10 horas da noite. A noite estava perdida, só pude tomar um banho, jantar e dormir. Para acordar e vir trabalhar DE NOVO!

Mas antes de vir trabalhar, deixei o carro na oficina para ver qual era o maldito problema do carro não querer pegar e, como sempre, eles descobriram vários outros problemas, eles existem mesmo, mas eu não vou ter como pagar. E eu não consegui falar não para o cara da oficina!

Já sei que meu potencial está em ser criativo e livre para usar minha criatividade. Mas onde consigo isso? Vou ter que abrir uma empresa para isso? Por favor, quem puder, me ajude nos comentários.

Mate Filosofia

Quando ainda era adolescente no sul de Minas Gerais, a cidade em que eu morava não oferecia muitas opções de entretenimento e lazer. Só restava ao povo beber. Então tudo era motivo para tal: frio, calor, chuva, sol, churrasco, feijoada, filosofia, etc. Naquele tempo, a minha turma de amigos era composta por pessoas razoavelmente instruídas e libertas de certos preconceitos e regras da sociedade. Éramos diferentes dos outros adolescente e sabíamos disso.

Os “papos de boteco” eram de nível elevado. Discutíamos literatura, música e mais algumas coisas que o álcool da época não me deixa recordar. Mas o que eu mais gostava era de ficar pensando e falando para os amigos o que se passava pela minha mente. Cheguei até a falar de matemática com um amigo que hoje estuda Artes Cênicas. Agora imaginem o grau do garoto! O álcool é ótimo para soltar a imaginação e a língua.

Com o tempo eu acabei descobrindo que não éramos assim tão diferentes e livres das amarras da sociedade. Usávamos o álcool para soltar o que tínhamos travado dentro de nós. As conversas e as filosofias estavam trancadas dentro de nós e não podíamos falar sobre isso com outras pessoas. Mesmo entre nós existiam alguns tabus que eram quebrados com o grau alcoólico da vodka ou do rum. Quando bêbados, o álcool nos desculpava, pois acredita-se que as pessoas são transformadas pelo álcool. A sociedade acredita que o álcool nos transforma em outras pessoas e o que fazemos quando bêbados não é, realmente, o que somos.

No entanto acabei descobrindo que isso era mentira. O álcool não nos transformava em outras pessoas apenas removia, temporariamente, as travas que a sociedade nos impunha. Com o tempo e a filosofia alcoólica fui me destravando e descobrindo quem eu realmente sou. Hoje não preciso mais do álcool para me libertar e não aprecio o estado de embriaguez. A sensação de perda da consciência e da razão já não me apraz.

Hoje, apesar de não ser gaúcho, tomo um chimarrão como auxílio à filosofia. O mate quente me ativa o cérebro e a razão ao invés de suprimí-la como o álcool. Claro que ainda tomo minhas doses de álcool, mas não para ficar bêbado. Bebo porque gosto do sabor da bebida e de apreciar o trabalho bem feito de alguém. Com as travas soltas aprendi a fazer cerveja e conheci muitas outras pessoas que também fazem cervejas.

Acabei descobrindo o prazer da sobriedade e da filosofia consciente. Neste exato momento estou “mateando” e imaginando como será a minha próxima cerveja.

A Roda

Você nasce fora da roda, totalmente livre para ir aonde quiser. Seus pais tentam te conduzir ou apenas ir apontando o melhor caminho conforme você avança. Você vai passando pelos anos da escola, ensino fundamental e médio, e chega. Quando o ensino médio acaba a sociedade te apresenta a primeira roda. Sabe aquela roda que tem em gaiolas de hamsters e roedores em geral?

A roda é bem grande e bonita e deve ser conquistada, várias pessoas vão competir pela mesma roda e apenas uma delas vai conseguir. Te dizem que essa roda vai te trazer muitas oportunidades e a certeza de uma vida de sucesso. Essa roda é a faculdade.

Dependendo da sua família e classe social, o ingresso nessa roda é obrigatório. Seus pais vão te ajudar pagando o melhor curso pré-vestibular possível, te dando livros e apostilas. Até te deixarão sossegado enquanto estiver estudando e não vão te obrigar a fazer coisas chatas como arrumar a cama ou lavar a louça no final de semana.

Infelizmente a escolha da roda não é sua. A roda é apresentada pela sua família e pela sociedade. Você vai ter apenas três opções, engenharia, medicina ou direito. Todas as outras profissões estão cheias de maconheiros, vagabundos e, principalmente, pobres. Os outros cursos serão indignos de você e devem ser deixados para as pessoas menos nobres. Se você gosta de exatas, engenharia, se gosta de biologia, medicina, se gosta da área de humanas, direito.

Mas ainda existe uma útima opção reservada apenas aos filhos que não querem fazer nada ou não conseguiram se decidir entre as três anteriores, administração. O único problema é que a maioria das empresas vai contratar um engenheiro para ocupar a sua vaga de administrador.

Então você escolheu a roda, lutou por ela e conseguiu entrar na faculdade. Você vai passar de 4 a 6 anos nessa roda cheia de provas e festas. Quando a faculdade acabar e você se formar você terá saído dessa roda. Você está livre de novo e pode ir para onde quiser. Mas as pressões familiares e sociais para você entrar em outra roda não cessam.

É nesse momento da vida que você toma umas das decisões mais importantes. Escolher a faculdade é uma decisão muito menor do que essa. Claro, nem decidir a faculdade nem essa decisão são irreversíveis. Você pode entrar em outra faculdade e fazer outro curso que te agrade mais que o primeiro. E você também pode arranjar um emprego ou não.

O emprego é a escolha da quase totalidade das pessoas do mundo. Sim, do mundo. São poucas as pessoas com coragem suficiente para escolher outro caminho. Aliás, escolher um caminho. Pois ter emprego é entrar em outra roda. Essa roda é mais apertada, sem festas e pessoas interessantes. Ao contrário da roda universitária, essa não tem limite de tempo. Você pode passar o resto da vida nessa roda.

Na roda não há como avançar, você precisa ir trocando de roda, e trocando de emprego, para ir melhorando os seus benefícios. A cada troca a roda se torna mais apertada, fria e rápida. Você tem que correr cada vez mais rápido para se manter na roda e manter o salário. Se você diminuir o passo, vai acabar caindo da roda e vai ter que voltar para uma roda mais lenta. Não preciso dizer as consequências sociais de ser derrubado da roda.

Se você entra na roda, você corre sem sair do lugar e perde as maravilhas da estrada que passa ao lado da sua roda. Sempre que você sai de uma roda, você cai nessa estrada. Ela é cheia de curvas e buracos, subidas e descidas. Ma na estrada você é livre para percorrê-la na velocidade que quiser e se quiser. Você pode até comprar um veículo para ir mais rápido ou mais confortável pela estrada.

Na roda tudo é calmo e estático. Não há emoções nem aventuras. Correr na roda é sempre igual, o problema é seguir o passo que o patrão te impõe. Na estrada você pode correr, caminhar ou sentar um pouco para apreciar a paisagem. Outras pessoas podem te acompanhar na estrada, na roda não. Na roda você corre sozinho e sem ajuda.

Às margens da estrada existem florestas, praias, montanhas, desertos e geleiras. Existem até outras estradas paralelas à sua e você pode mudar de estrada e passear um pouco com outras pessoas. Várias pessoas podem se juntar e formar uma estrada bem larga e cheia de novidades e coisas interessantes.

Se você tiver um veículo, pode ir mais rápido e mais confortável. Ir de moto e aproveitar a liberdade ou um carro com ar condicionado e câmbio automático. Enfim, na estrada a escolha é sua. Na roda a escolha é do patrão. Se a roda fosse tão boa assim, seu patrão, o dono da empresa, estaria nela. Enquanto você corre na roda, ele comprou um jipão com todo o conforto que você pode imaginar e participa de um rally. Sabe como ele conseguiu tudo aquilo? Montando rodas para os outros correrem.

Noivado

Esse post é a parte 4 de 4 na série Relacionamentos

Depois de uma pequena pausa para mudar um pouco de assunto, voltamos aos relacionamentos. O que vem depois do namoro? Se você disse noivado, acertou. Sim, noivados ainda existem! Estamos no século XXI e essa coisa tosca ainda existe. Alguns dizem que é nessa fase que você começa a conhecer, realmente, o parceiro. Porque é nesse momento que os problemas reais começam a aparecer e a cobrança por parte da família e amigos fica muito maior. Parece que namoro é algo sem importância para a família, mas noivado já é quase casado então é tudo muito diferente. Mas não se assuste, não é um mar de rosas, mas também não é uma floresta de espinhos. Você vai se espetar algumas vezes e você ainda corre o risco de tudo dar certo e acabar casado. Não vamos apressar as coisas, certo?

Um noivado deveria ter uma duração mínima de 6 meses. Menos que isso é loucura casar. No entando, passar disso também é ruim. Todo mundo vai pensar que você está enrolando ou está sendo enrolado. Isso não é nada bom mesmo. Se seus amigos começarem a falar que você está sendo enrolado(a), que a outra pessoa só está aproveitando de você e tal, mesmo que seja mentira, você vai começar a pensar bobagem. Pensar bobagem nessas horas é como uma bomba nuclear. Todo mundo vai evitar usar, mas se explodir vai matar muita gente. Matar é um termo muito forte, mas o importante é vocês entenderem. No namoro, se você começa a escutar os outros falando que a sua namorada não presta e você acredita e termina o namoro, isso só vai afetar os dois. Seus pais estão pouco se fodendo para o seu namoro, seus amigos vão perguntar o que aconteceu e tentar te convencer que você está melhor solteiro e tal. Terminar um noivado é como um incidente diplomático. Todo mundo vai querer saber de todos os detalhes. Se você é homem, sempre estará errado nessa situação!!!

Calma, o noivado também tem coisas boas. Seus cunhados começam a virar amigos, os sogros param de te olhar estranho, sua mãe vai parar de falar que aquela mulher não serve para você, etc. Resumindo, você é aceito na família dela e ela na sua, geralmente. Organizar o casamento não costuma ser muito divertido, mas pode ser se você tentar. Dar uma de noivo chato é um saco e sua noiva vai te ligar chorando no meio da noite pedindo opinião sobre as flores, decoração e o escambal. Relaze e goze, é assim mesmo. Responda com calma e delicadeza, isso é só um teste para saber se você agüenta ficar casado. Casar é facinho, se manter casado que é o grande desafio. Portando, se você conseguir engolir todos os palavrões e responder calmamente à sua amada quando ela perguntar se devem comprar begônias ou lírios e você nem souber a diferença entre elas e manter a calma, você está pronto para ser um homem casado.

Mulheres, do mesmo jeito que o homem precisa ter paciência com as dúvidas completamente absurdas que vocês têm, vocês poderiam ser menos preocupadas com tudo isso e relaxarem um pouco. Não há nada pior que uma noiva paranóica que acha que pode, e vai, dar tudo errado e que, na melhor das hipóteses, vai cair um caminhão de bosta na sua cabeça assim que você sair do carro para entrar na igreja. Corte a paranóia e todas as frescuras e seja feliz.

A hipocrisia da roupa

Imagine que você foi chamado para uma entrevista de emprego. Imagine também que você tem duas opções: ir com a sua roupa habitual de todo dia ou se engravatar. Você escolhe se engravatar para causar uma boa impressão, certo? Afinal você quer o emprego. É um bom emprego, numa empresa grande com um bom salário e ótimos benefícios. Você resolve fazer o sacrífcio de vestir uma camisa, calça social e aquele par de sapatos que você ganhou do seu avô e que fica apertado. Tudo isso na esperança de conseguir o emprego dos seus sonhos.

Antes de continuarmos com a história, vamos pensar no que você fez ao se vestir “bem” para a entrevista. Você tentou passar a mensagem de que você é uma pessoa séria, responsável e madura. Que cumpre com os compromissos e merece confiança. Tipo de pessoa perfeito para o emprego. Mas vamos ser mais “profundos” na avaliação. Você usaria essa roupa para uma balada??? Claro que não! Se você se vestir assim para uma balada, vão ficar te zoando, te chamando de “pastor”, “garçom” e outras coisas menos agradáveis. Você se sente bem vestido dessa forma? Não de novo. Você não está acostumado com a sola dura do sapato, prefere os amortecedores do seu NIKE (eu também) e o conforto da calça jeans com aquela camiseta da sua banda preferida de heavy metal. Então, o que você fez quando se vestiu todo “bonitinho” para a entrevista? Mentiu!!! Mentiu da forma mais descarada e deslavada que existe!

Mas aí você vai dizer que eu sou maluco, que estou exagerando, que é só uma roupa. Você pensou até em me chamar de comunista e xingar a minha mãe. Mas analise, você não é aquela pessoa vestida de calça, sapato e camisa!!! Você é o metaleiro cheio das correntes e penduricalhos. Você “mentiu” apenas para arrumar um emprego, impressionar uma garota ou qualquer outro ato que você julgue digno dessa roupa. Você é um mentiroso feladaputa, sim, senhor!!!

Vamos ao seguinte diálogo com o diretor da empresa, ele que vai te entrevistar. Primeiro você entra na “salinha” e o cara tá de jeans e camiseta, usa barba e está mastigando uma colherzinha de plástico! Visualizou? Beleza então.

O diretor te cumprimenta, te manda sentar e você já começou a se perguntar porque resolveu vestir essa roupa ridícula, já que nem o diretor da empresa se veste assim. Então ele vem com a pergunta mais inesperada possível:”Que roupa você usaria para ir no bar tomar umas cervas com seus amigos?” Sim, você ficou sem saída e está totalmente arrependido de ter se vestido de “pingüim”. Você engasga, a voz teima não sair, mas no final você se enforca e responde:”Jeans, camiseta e tênis.” Sabe o que você acabou de fazer? Você acabou de se foder! Você atestou a sua mentira. Você não é um pingüim, porra!!! Para arrematar o diretor dá o golpe final:”Então, porque você veio vestido igual garçom de pizzaria?”. Você fica sem resposta, a língua congela na sua boca e você só quer ir embora. Nem está pensando mais no emprego, só quer que ninguém fique sabendo do ridículo que você passou por causa da merda daquela roupa idiota que você resolveu vestir só para conseguir o trampo. Mas o diretor ainda não está satisfeito e arremata:”Se você já começou mentindo, tentando me enganar, logo na entrevista, como você quer que eu te contrate? Como vou confiar em você?”

Infelizmente isso só aconteceu na minha cabeça. Mas é triste pensar que ainda se julga o livro pela capa. Como se a vida fosse um grande desfile de moda e cada situação da sua vida fosse uma passarela. Para cada passarela, um estilista, um tipo de roupa. Como se a pessoa fosse a roupa que usa. A roupa faz a pessoa? Ou seria o contrário? Pense um pouco aí e mande sua opinião.